sábado, 2 de maio de 2015

A Ideia de Jogo de José Mourinho

Numa altura em que José Mourinho está prestes a conquistar mais um título - campeão da Premier League pelo Chelsea -, o 22º da sua carreira, fazemos uma resenha filosófica de afirmações daquele que é o maior vencedor entre os técnicos em atividade na Europa e que ajudam a perceber a sua Ideia de Jogo. 

"ASSUMIR SEMPRE OS JOGOS, não se descaracterizar perante os adversários, é uma característica das minhas equipas. Já o era quando treinava o União de Leiria, que era uma equipa que não tinha essa obrigação. Para mim, o mais importante é sempre a nossa própria equipa e não o adversário".

"A MINHA IDEIA TÁTICA principal passa por termos noção clara da coisa mais importante do futebol moderno para além de marcar golos: ter a bola."

"EU NÃO VOU PARA NENHUM JOGO em que a organização defensiva me exija mais do que a organização ofensiva. Assim como não vou para nenhum jogo sem que todos os jogadores tenham a sua função ofensiva e defensiva. Inclusivamente, o guarda redes tem a sua função ofensiva."


"NÃO CONSIGO DIZER se o mais importante é defender bem ou atacar bem, porque não consigo dissociar esses dois momentos."

"CAMPO GRANDE A ATACAR, linhas juntas a defender; uma reacção forte à perda da posse de bola; uma estrutura fixa em termos posicionais e uma estrutura móvel, ou seja, há jogadores que têm posições fixas no campo e há outros que, pela sua dinâmica, têm mobilidade, apesar de haver sempre equilíbrio posicional."

"PARA MIM, DEFENDER BEM é defender pouco, é defender durante pouco tempo, é ter a bola o mais tempo possível, é estar a maior parte do tempo com a iniciativa de jogo, não tendo necessidade de estar em acções defensivas. Para mim, defender bem é uma mistura de «pouco», em termos de quantidade de tempo, mesclado com o momento da perda da posse de bola."

"PODE-SE DEFENDER BEM em qualquer lugar.  Agora, eu prefiro defender longe da minha baliza, porque, quando recupero a bola, estou mais perto da baliza do adversário, que é o meu objectivo no jogo."

"[OS MEUS JOGADORES] ESTÃO EDUCADOS para ganhar. Se um dia dissesse no balneário que iriamos jogar para defender, expulsavam-me."

"TRATA-SE DAQUILO A QUE EU CHAMO, descansar com bola. É necessário, com o ritmo de jogo que nós impomos, descansar, caso contrário, ninguém aguenta uma partida. A melhor maneira de o fazer, correndo menos riscos, é descansar quando temos a posse de bola. No jogo com o Nacional conseguimos fazer isso de uma forma bastante eficaz. Quase perfeita. No fundo, trata-se de alternar os momentos de grande intensidade e pressão, com períodos de descanso com a bola, que não é mais que fazer posse de bola, mas com o intuito de repousar. É a posse pela posse, nada mais. Não há objectivo de chegar ao golo. Tenho a bola nos pés, tenho o jogo controlado e não corro, fico só a trocar a bola e a descansar."

“JOGADORES COM ESTE NÍVEL não aceitam o que lhes é dito apenas pela autoridade de quem o diz. É preciso provar-lhes que estamos certos. A velha história do mister ter sempre razão não é aqui aplicável. (...) O trabalho táctico que promovo não é um trabalho em que de um lado está o emissor e do outro o receptor. Eu chamo-lhe a descoberta guiada, ou seja, eles descobrem segundo as minhas pistas. Construo situações de treino para os levar por um determinado caminho. Eles começam a sentir isso, falamos, discutimos e chegamos a conclusões. Mas para tal, é preciso que os futebolistas que treinamos tenham opiniões próprias. Muitas vezes parava o treino e perguntava-lhes o que eles sentiam em determinado momento. Respondiam-me, por exemplo, que sentiam o defesa direito muito longe do defesa central. Ok, vamos então aproximar os dois defesas e ver como funciona. E experimentávamos, uma, duas, três vezes, até lhes voltar a perguntar como se sentiam. Era assim até todos, em conjunto, chegarmos a uma conclusão. É a esta metodologia que chamo a descoberta guiada”.

"A MINHA DESCOBERTA GUIADA não tem tanto que ver com o perceber mas sim com o sentir. Ou seja, com o que eles sentem em determinado tipo de situação ou de movimentação. Eu pergunto-lhes o que eles sentem a nível de experimentação... vamos experimentar e sentir a nível posicional... estou apoiado... a nível mental não tenho medo de errar porque isto está coberto... é daqui que partimos, executamos em treino e recebo o feedback que me permite mudar de acordo com isso. Tenho essa elasticidade, que é ter a capacidade de promover alterações dentro do próprio exercício em função daquilo que me dizem. Se entender, pelo que me dizem, que o exercício não está adequado à situação, altero-o logo ali na altura. às vezes,, ao fim de três minutos, já introduzi uma nova regra no exercício de forma a adaptá-lo àquilo que os jogadores estão a sentir. No fundo, isto é a operacionalização da descoberta guiada."

"ELES NÃO TÊM DE CORRER uma única volta ao campo, mas mesmo assim, estão mais cansados no fim da sessão do que estavam anteriormente. Todos os dias preparo os exercícios, a sua duração, o tempo de repouso entre os exercícios. Penso que eles começam a perceber a especificidade do treino. Os bons jogadores adaptam-se facilmente."

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